Mochilão

Viajar não precisa ser caro, difícil e sofrido, como muita gente pensa. Precisa ser programado. Aqui estão algumas ferramentas poderosas que podem ajudar sua viagem a ser mais barata e bem aproveitada.

Albergues

Eu sou fã dos albergues por vários motivos. A seguir algumas ótimas razões para te fazer ser tão fã quanto eu e para quebrar alguns possíveis tabus que você ainda possa ter.
Para quem não tem nem ideia do que eu estou falando, albergues ou hostels (como são conhecidos em inglês) são estabelecimentos que oferecem acomodações mais baratas que hotéis tradicionais para viajantes. Oferecem quartos como hotéis, porém o que os faz diferenciados e conhecidos são seus dormitórios. Estes são quartos conjuntos, ou seja, dorme você e mais um certo número de pessoas no mesmo lugar. Você paga pela cama. Estes dormitórios podem ser mistos ou separados por gênero.



Sim, eu já dormi com outras pessoas no mesmo quarto sem conhecê-las e nunca tive problemas com isso. Os brasileiros a pouco tempo começaram a entender a ideia de albergue porém, lá fora as pessoas estão ultra acostumadas com a experiência. Isto não quer dizer que você não deva ser cauteloso. Existem também quarto individuais, duplos, etc. Depende de cada estabelecimento e da disponibilidade, mas não são tão baratos quantos os dormitórios.
Mas dormir num dormitório não é como se fosse na sua casa na época do Natal, que se coloca um monte de colchões no chão e todo mundo dorme empilhado. Tudo é organizado e limpo. Cada cama tem seu armário (que você pode e deve colocar seus pertences mais valiosos lá e trancar quando sair), sua luz noturna, alguns tem criado-mudo ou algo semelhante para colocar um livro ou celular, tomada, etc. É uma unidade para cada hóspede com tudo que é necessário para sobreviver por uma noite num lugar.
Dica: sempre leve um cadeado a mais para trancar o armário do quarto (o outro deve ficar na sua mala/ mochila que, se não couber dentro do armário – geralmente não cabe – estará embaixo da sua cama bem protegido). Sempre escolha albergues que tenham o armário dentro do quarto.
Alguns oferecem café da manhã. Você também tem direito de usar o banheiro que, ou estão no quarto ou ficam no corredor e são geralmente separados por gênero. Os banheiros quando nos corredores seguem o mesmo esquema dos quartos, parecem vestiários de clubes/ academias. As vezes, algumas coisas não são inclusas, como toalhas. Quando é o caso, pode-se alugá-las na recepção por um valor baixo (baixo mesmo, tipo US$3 ou €2) e ficar com ela por toda sua estadia.


Outra coisa linda de ser ver em albergues, a cozinha. Você pode ir ao mercado local, comprar comida e cozinhar, o que significa que não é preciso ficar comendo fora o tempo todo. Fazer sanduíches para levar na mochila durante o dia e uma macarronada a noite pode reduzir seus gastos com alimentação em até 70%.
Os albergues sempre tem atividades para integrar os hóspedes. Eu já participei de aula de culinária local, pub crawl, tours, stand up comedy, teatro de marionetes, noite de filmes, gincanas, etc. É uma ótima maneira de fazer amizades, trocar ideias sobre o lugar em que se está visitando com outras pessoas que se encontram no mesmo barco que você e garantir companhia durante sua estadia. Eu viajo muito sozinha e não existe maneira melhor de conhecer pessoas do que em albergues.
Os recepcionistas sempre são pessoas de mente aberta e tem dicas boas para você conhecer a cidade como um insider. A maioria dos estabelecimentos têm lavanderia, então pode-se lavar roupas e secá-las, o que significa levar uma mala menor, mais fácil de carregar e pagando menos extra em aviões.
Para saber escolher um bom albergue não é preciso muito. Primeiro você visita sites como Hostelworld (minha escolha da grande maioria das vezes) ou Hostels.com e afins. Coloca para onde vai, o período de estadia e quantas pessoas vão com você. No site você pode ver as fotos do local, os preços dos tipos diferentes de acomodações, se tem ou não café da manhã incluso, lavanderia, WiFi grátis, entre outros tipos de instalações que o estabelecimento possua. Outra coisa legal é que pode-se ler os comentários de pessoas que já estiveram lá para ter uma opinião mais concreta.
Dica: eu sempre olho as notas dadas para o lugar. Aliás, eu filtro a busca de albergues por nota (para esclarecer, as notas são computados pelos hóspedes no site em que se fez a reserva, depois de sua estadia). Uma outra consideração importante a fazer é a localização do mesmo. Nos próprios sites você pode ver no mapa onde fica. É importante ver as redondezas e simular o caminho que você fará para chegar no lugar e para ir passear pela cidade. A melhor maneira de fazer isso é pelo Google Maps.
Quando você escolher e for reservar, terá que pagar uma taxa de 10% do valor total da estadia. Se você precisar cancelar, em até 48h antes do check in este dinheiro é devolvido para o cartão de crédito utilizado para fazer a reserva. Lembre-se que sua estadia não está totalmente paga, quando chegar ao local, antes de pegar a cama você deve pagar o resto no cartão ou em espécie (tem que ser na moeda do local onde encontra-se o albergue).
Outra vantagem deste tipo de estabelecimento é que a maioria deles (isto também especificado no site que você faz a reserva) pode guardar sua mala por algumas horas após o check out. Para exemplificar, se você for embora da cidade em que estava às 18h e fez check out às 11h, você ainda tem umas boas horas livres para passear. Mas onde deixará suas malas? É aí que está a vantagem, pode-se deixá-las lá, ir aproveitar o dia e depois voltar para buscá-las antes de ir embora.

Transporte público

Das minhas experiências por aí, posso afirmar que eu sou admiradora de como o transporte público em muitos lugares tem uma logística perfeita. Eu nunca aluguei carro quando viajei, além de ser mais caro, acredito que o transporte coletivo é uma maneira muito concreta de vivenciar o cotidiano de um lugar.
Antes sair para explorar, é mais inteligente se você dividir no mapa as regiões que pretende visitar ao longo da viagem e escolher para onde vai naquele dia, assim gastará menos tempo em trânsito e também terá a oportunidade de andar mais a pé pela cidade. Aí é só pegar o metrô/ ônibus/ bonde etc. para chegar até lá.
A maioria das cidades têm sites (hoje, muitos também tem aplicativos) com as informações sobre os transportes, horários e preços. Aliás até o nosso velho amigo, Google Maps tem a opção de busca e trajetos através de transporte público e em muitos lugares a pesquisa funciona perfeitamente (com número de linha, horário, pontos, etc.).


Em muitos lugares é possível comprar mais passagens de uma vez só ou um passe válido por alguns dias. Duas vantagens de se fazer isso; geralmente o preço do bilhete unitário sai mais barato e mesmo que isso não aconteça, não se perde tempo em filas de bilheteria todas as vezes em que for preciso utilizar do recurso.
Só mais uma coisa já que estamos no assunto… muitos lugares nem possuem catracas nas estações. Os cidadãos tem plena consciência de que devem pagar para utilizar o serviço, então compram a passagem mesmo sem que ninguém nunca irá fiscalizar. Faça o mesmo. Se você escolheu visitar um lugar, precisa respeitar as regras que existem nele. Não faça a imagem dos brasileiros (neste quesito) pior do que já é lá fora.

Passeios

A melhor maneira de saber o que se tem de bom e interessante para fazer num lugar é perguntando para quem já foi. Ou abrindo o navegador do seu computador e fazer algo relativamente semelhante.
A primeira coisa que eu faço quando decido conhecer um lugar novo é ir ao YouTube e escreve o nome deste destino seguido pela palavra vlog. Se não encontrar, tente colocar o nome do lugar em inglês, as chances de sucesso na busca são maiores.
Depois de ter uma aulinha, eu vou ao TripAdvisor e procuro os nomes dos lugares que foram visitados ou mencionados. Lá consigo ver fotos, opiniões e relatos de pessoas que já foram e estão ali para trocar figurinha sem nenhum interesse financeiro (o que significa que se não valer a pena, elas irão te dizer pra nem perder seu tempo). O site é uma rede social de viagens e que serve para tornar o compartilhamento de experiências turísticas mais fácil, acessível e organizado. Você também pode dar sua contribuição e ajudar outras pessoas a entenderem melhor o que esperar suas futuras viagens.


Aí eu sigo para o Viator, uma agência de turismo online que pertence ao TripAdvisor (ou seja, a qualidade do que oferecem é averiguada e garantida), onde irei procurar atividades nos locais que listei serem interessantes visitar. Lá a busca é bem filtrada, podendo ser por preço, tipo de atividade (a pé, viagens de um dia, passeios noturnos, gastronomia, tours de bicicleta, etc.) ou os mais recomendados de um certo local.
E você nem precisa comprar com eles, eu muitas vezes utilizo o site como uma vitrine. Em outros sites também existem passeios semelhantes que podem acabar sendo até mais em conta. É só uma questão de averiguar, pesquisando.
Dica: Não deixe para comprar os passeios já na viagem no dia em que você resolver fazê-los. Muitas vezes será mais caro ou pior, pode ser que não haja mais vagas e você fique sem.

Voos & Quando Voar

Para marcar uma viagem é preciso conhecer o lugar para onde você está indo, no sentido de saber se é época de frio, calor, festividades, etc. Estes fatores podem influenciar seus passeios e o valor da sua viagem.
Saiba que o ano é dividido em alta e baixa temporada para viagens. Este conceito é relativo pois a alta é o momento em que existem mais pessoas viajando, ou seja, quando mais pessoas estão de férias. Isso varia de cultura para cultura. Um rápida busca na internet te dá uma noção do que acontecerá no seu destino na época em que se está planejando a viagem.


Para procurar voos eu utilizo o Google Voos, um serviço do Google que busca em todos os sites de venda de passagens e te direciona para o que for selecionado (o que é mais fácil do que ir cotar de um em um). Faço a busca numa aba anônima do navegador que estou utilizando. Muitas pessoas dizem que esta história do navegador guardar os cookies e influenciar o valor da passagem é ultrapassada, mas não custa garantir.
Dica: voar em dias nos quais ninguém quer é sempre mais barato, como dia 25 e 31 de dezembro (principalmente se for para passar a virada do ano no avião).

Gabi como Mochileira

Para mim, viajar é o que me mantém centrada. Eu nunca fui e voltei a mesma pessoa que era, não importa para onde quer que houvesse ido. Eu gosto da sensação de encontrar meu caminho quando sou jogada para a minha zona de conforto.


Adoro saber que estou indo para um lugar que irá me mudar, me surpreender e me fazer refletir sobre o que me é conhecido. Gosto de conhecer novas pessoas, os caminhos que tomaram para chegarem até ali e para onde querem ir. Esta troca de figurinha sempre enriqueceu muito a minha vontade de querer buscar e ver mais. Por isso adoro a proposta dos albergues, pois me permite estar com pessoas que vieram do outro lado do mundo, mas que naquele momento estão ali pelo mesmo motivo que eu e ver que as diferenças culturais não impedem em nada, só acrescentam.
Viajar me ensinou a desapegar de bens materiais e me apegar a memórias, pessoas e experiências. Eu aprendi que não preciso de nada além de mim, minhas músicas, um mapa e minha câmera para me aventurar e conhecer o que sempre tive vontade.
Quando saio para buscar o fora eu acabo conhecendo muito mais o dentro. Ter esta independência e autonomia é algo que me deixa mais preparada para encarar os desafios da minha vida.
Dica: vá viajar, vá se perder para que possa se encontrar. Vá. Não deixe que nada fique entre você e aquilo que quer. O mundo é muito grande e a vida muito curta.

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